AS NOIVAS

A que ama, se casa porque ama, tem o olhar inebriado, meio turvo, pois tem tudo transbordando de si. Uma mão no braço do pai e a outra livre (não quis um buquê) roça o vestido, entre um passo e outro até o altar. Saia quase sempre longa, às vezes com muitas folhas acariciando as pernas. Não caminha, flutua…Os olhos quase fixos no seu amor que, qual magneto postado lá na frente, a atrai de tal forma que tudo o mais nem existe.A “alpinista”, interesseira, também se casa. Seria maioria? Pensa racionalmente (porque também se pensa emocionalmente, isso é claro pra ti?) e chega ao altar como se fincasse uma bandeira no Everest.Não vive o momento, projeta o futuro, maquinalmente e ardilosamente.Tem o olhar firme e resoluto e tudo vê. Lúcida, conta os passos da imensa nave. Ocasionalmente olhará para cima, se deparará com a cúpula da Catedral (porque este tipo só se casa em Catedrais) e, neste momento, poderá se perder diante da grandiosidade do sagrado ambiente. O desavisado pode não entender este olhar, meio lânguido e fixo no alto, confundindo como enlevo, emoção. Não! Ela apenas está pensando friamente: – Eu cheguei aqui!

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