OLFATO

 

Leila trocava os lençóis, escolhidos entre os últimos da pilha, pulverizados e guardados com perfume de lavanda. Há mais tempo sob o efeito do suave aroma, ao serem desdobrados e alçados para cobrir a cama, exalavam o agradável cheirinho. E Leila sentiu o prazer de sempre ao fazer esta tarefa tão corriqueira, mas tão esperada, a cada três dias. Inebriada pela agradável sensação não percebeu a entrada no quarto de Ruy que, de propósito, entrou sorrateiramente. Parecia a ele nunca ter partilhado de um  momento assim, pois ficou meio atônito com o ambiente diferenciado pela brisa da manhã recendendo a lavanda. Olhou para Leila e ambos, neste olhar, reconheceram-se com 25 anos quando rolavam por lençóis com este mesmo perfume. Com o olfato acostumado por tantos anos, com a mesma fragrância, perdera a memória de momentos valiosos que acompanharam aqueles mesmos lençóis.
Aproximou-se e abraçou-a longamente. Sem palavras…Não precisaram delas!

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