OUTRO DIA

Chegou por volta das 17h30 e ao entrar percebeu a quietude da casa. Arremessou as chaves no prato Inca, trazido de uma prazerosa viagem, e os sapatos tirou-os com o auxílio dos calcanhares muito acostumados em se livrarem do diário salto 10. Apurou os ouvidos e concluiu: Estava só! Tirou o sutiã, (coisinha bem desconfortável, quase uma armadura feminina para as batalhas do dia a dia), e se dirigiu para a cozinha. Uma garrafa aberta na véspera de um autêntico bordoux lhe seduziu do canto da pia de mármore. Abriu, cheirou a rolha e aprovou. Ainda com excelente aroma, pensou! Pegou a taça sempre à mão e serviu-se pensando que ainda era cedo, mas deu de ombros. Seu dia tinha sido “daqueles” e, como alguém já disse, em algum lugar do planeta já eram 19 h, horário estabelecido por ela para uma taça de vinho. Seguiu para o quarto e depois de uma ducha rápida, pois não era mulher de longos banhos, abriu o closet e escolheu uma camisola amarelinha, de um tom bem claro, quase no tom de um creme de baunilha, contrastante com sua pele de loira bronzeada. Bronzeado adquirido nos banhos de sol sem camas de luz nem jatos cor de laranja. Vestiu e avaliou o efeito no espelho. Corpo bem definido por uma boa alimentação, academia sem excessos e, claro, 35 anos que em qualquer mulher caem muito bem. Madura, confiante do sexy appeal e feliz. Tinha um homem que a amava, pai das três filhas de 5, 3 e 1 ano e meio. Meninas bem cuidadas, educadas e lindas. Cabelinhos ralos, mas loiríssimos, pele branquinha, mas com melanina suficiente, herdada do pai moreno jambo, para garantir um bronzeado de enlouquecer como o da mãe. Escolhida a camisola que julgou acertada pensou que, como para a taça de vinho, ainda era cedo para uma camisola, mesmo assim ficou com a escolha. Quando se virou para sair seu coração deu um salto e ela quase gritou. À porta com seu metro e noventa estava o marido. Braço direito apoiado até o cotovelo no marco da porta e o outro levando a mão à boca com os quatro dedos na vertical tapando os lábios entreabertos . Ainda com o terno bem cortado e ajustado ao corpo atlético parecia um deus. O olhar? Ah, inesquecível…
Usem a imaginação para concluir…

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