PERDAS E GANHOS

Deitada Júlia  sentia a respiração daquele que um dia se foi e agora estava ali dormindo serenamente ao seu lado. Júlia, mais consciente de que nada é para sempre. Quando se deu a ausência também aflorou o pensamento/sentimento – Eu estou aqui… Naqueles dias aquela cama  parecia vasta demais para uma Júlia que olhava o mesmo teto e as mesmas cortinas, mas com aquela ausência ali, tão presente! Havia sim o sentimento de liberdade, apesar de dolorida.  E a expressão: – Eu estou aqui, ganhando a conotação de libertação.

Sim, libertação de alguém que a sufocava (que ela amava tanto) e pensava ser impossível viver sem sua companhia.  Engano inerente ao viver,  pensa ela hoje.  Quando sentia a ausência nos dias mais doloridos, vinha esta ideia direcionada a ele: Tome distância de mim o suficiente para que eu não tenha fôlego de te alcançar! Era quase como uma súplica.

Hoje, na madureza dos 40 anos, não se sente tão jungida a pessoa, prefere considerar que outros caminhos existem, outras pessoas podem querer estar ao seu lado sentindo, pensando: Eu estou aqui junto dessa mulher especial…

O tempo é generoso professor!

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3 comentários sobre “PERDAS E GANHOS

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