DETERMINADA

A ligada no 220 volt. Elétrica mulher. Mulher polvo, de tantas mãos, sempre abarcando todas as possibilidades e responsabilidades. Mãe presente e atuante, sem filhos gerados por ela mas com uma cria tão amada, cria tão lambida como se dela fosse. Forte, determinada e de imensos e lindos olhos verdes. Mulher resolvida e voluntariosa. Se ameaçarem não poder fazer qualquer coisa, esqueça.  Ela já fez…

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REENCONTRADO

O reencontro se deu via redes sociais e pouco falaram até decidirem pelo encontro face to face.  No pouco que falaram se destacou uma vida dela sem filhos e dele com três. No momento ela tem 55 anos e ele um pouco mais, talvez 58. Viveram um tipo de romance ao 16 ou 17 anos, mais da parte dele soube Milena depois. Ela só sabia, na época, que mexia com ele mas nunca incentivou nada. Platônico foi o nome daqueles momentos.  Era um guri taciturno, de poucas palavras, anti social, um revoltado passivo. Tanto que num período da vida foi morar no mato. Aliás se auto avalia como um bicho do mato. E se acha velho, se diz velhinho, se sente velho, age e pensa como um velho. Uma desgraceira, como diz uma amiga. Então!! Sabina aceitou o convite para aquilo que seria uma aventura aos seus olhos. Imagine, já no primeiro dia, sem delongas, e ele com essa coisa de se achar velho. Pensou: isso não vai dar certo. Até porque ela continuava uma mulher exuberante e bela ou mais ou menos bela…ok, bem razoável! Ao se vestir para sair para o tal evento pensava na condição física dele, afinal se achava que era velho seu desempenho em tal situação podia ser de um. Será que tomaria alguma medicação adequada? Quase desistiu. Já pensou o dito enfartar, ter uma síncope ou qualquer coisa do tipo?! Já que tinham decidido por aquilo era bom que tudo corresse bem.Enfim, a manhã estava ensolarada e propícia quando chegaram naquele lugar tão lindo. Desceram cada um do seu carro e se abraçaram como amigos e nada mais. Ela já não tinha gostado muito do bigode que ele adotara quando viu no face, agora frente a frente concluiu que não gostava mesmo. Caminharam lado a lado e ao chegarem perto do balão ele gentilmente a ajudou a subir. Naquele momento Milena pensou novamente se um remedinho pra enjoo constou das preparações dele naquela manhã. Ela tomou!

AZEDA

Tenho um sentimento misto de pena e incapacidade por certa criatura que insiste em se enredar no seu azedume contumaz. O que será preciso para que o emburramento, que lhe é peculiar, lhe dê indícios de que não é preciso levar a vida a ferro e fogo para que lhe respeitem? Eu sei, viveu desde muito jovem as agruras da vida. Teve que conduzir um filho de difícil convívio e uma filha gentil, muito só. Sem pai, sem mãe!!!!! Meu coração se abre, frequentemente, para ela mas… não sei, a dor lhe esculpiu no rosto de tal forma a amargura que mesmo quando seu sorriso se abre o olhar desmente! Queria tanto que  acreditasse que queremos, todos, que ela seja feliz. Efetivamente feliz! Não só aparentemente feliz!

PLANEJAMENTO

Hoje, desde cedo, tinha a firme intenção de fazê-lo feliz.  Fez compras, fez planos, idealizou o cenário, organizou mentalmente as falas e se fez bonita. Pintou e arrumou os cabelos, depilou os parcos pelos e ao entardecer delineou os olhos e marcou a boca bem desenhada.  Vestiu sua melhor calcinha e seu mais lindo sutiã pois  tinha, sim, “más” intenções!  À luz de velas tudo fica tão mais bonito e atraente, pensou!  Juntou a toalha em tons de azul e a louça portuguesa pouco usada(não lembrava a última vez!). Era isso que buscava,  o que tinham e não lembravam que tinham. Foi assim que armou o cenário, intentando “se dar bem”. Retomar os ares de juventude, de novidade, de enlevo… Na virada dos setenta e alguns anos o corpo já não corresponde às expectativas mas, entendendo que tudo acontece no campo mental buscava partir do entorno, da ambiência composta por um “palco”  propício para chegar ao objetivo final.  Pensava em fazê-lo entender, assimilar, que o entusiasmo pode partir de algo externo e estender-se a um momento de toque, de aconchego, de afeto tão legítimo que o desempenho sexual, propriamente dito, não precisava ser o objetivo final.  Organizou tudo à surdina enquanto ele, distraído no seu trono em frente ao computador (homem moderno?!), nada percebia, nada pressentia. Tudo transcorreu conforme o imaginado. A taça de vinho, o jantar leve (nestes casos tenha sempre um jantar leve), e a roupa escondendo/mostrando só o apresentável (não se iluda!).  As carícias ardentes, a música audível aos dois (pobres vizinhos) e o encantamento das lembranças de um passado muito presente naquele momento idealizado e realizado.  Ela surpreendeu-se com a receptividade dele uma vez que a indiferença, por seus esforços em garantir uma convivência criativa, era recorrente. Mas ela tentava incansavelmente.

Foi surpreendida ainda mais quando, na manhã seguinte, um caminho de pétalas de rosas a levaram a uma linda mesa de café da manhã. Quem diria  que o surpreendido poderia surpreender? Eu. E tanto aos 20 como aos 80 qualquer dia pode ser  dos namorados!

CAMINHOS

Tem caminhos que tu escolhes e aqueles em que te atiram; os que sem perceber  já estás trilhando, e os que nunca nem em sonhos vais encontrar porque desconheces que existam. Foi percebendo os paralelos aos meus que entendi: Tenho muito a aprender!

AMAM

A que ama, ama e sofre e ama… Quanta dor contida. Vida quase sem solução, mas que no seu olhar, de fundo tão verde,  não se vê de pronto o amargor dos seus dias… E noites! Que segue companheiríssima. Mulher ímpar em inteligência e amizade! Hoje liberta das algemas da escravidão de quem ama sozinha! Está pronta para amores recíprocos.

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A dividida entre dois amores. Traz no semblante as perdas da vida, todas cedo demais para qualquer um. Mãe, irmão, … Agora o pai,  outra irmã, sobrinho…  Filhas, não! As filhas jamais serão perdidas. São temporariamente colocadas no seu devido lugar e se distanciam o suficiente para que, como plantas, absorvam seu sol particular de cada dia interiorizando as lições do mundo! Às vezes duras lições!

DOS NOMES

Amaralindo…este é o nome que carrego como um peso pois ao me apresentar sinto o olhar instigador do ouvinte a  me analisar averiguando da coerência entre  nome e aparência. Amaral o lindo, quase leio na testa da pessoa.Como sou do tipo normal, nem belo nem feio,  logo as pessoas se desligam da associação mas, como a se apiedar de mim, tentam me dar apelidos. Amaral, Mar, Indo, Vindo, Arlindo, Parindo e o cacete (tô exagerando) e, claro, sugerem que eu dê outro nome ao me apresentar, afinal, concluem: ninguém pede identidade quando alguém se apresenta. Tenho uma conhecida que sempre conheci por Leda e o original é Ledroneta. Coitada, imaginem as rimas!!!!!!!! Soube o nome original de batismo, dela, ao ler numa correspondência exposta a quem pousasse o olhar na dita. Enfim, Amaralindo nem é tão ruim, acabei pensando.Jamais consegui arrancar de minha mãe de onde ela tirou esta ideia. Sei que muito amou meu pai que não está mais aqui desde meus 6 anos. Certamente ao dizer meu nome lembra dele e que… amar é lindo!

Amarélindo!!!!!

Vou trocar.

Diga aí em voz audível.

Amarélindo…

Até as pessoas entenderem que é um nome???!!!!!

Acho que só repaginarei o problema.

Afffii…