Tenho um passado, tenho um presente… Ah, mas hoje o futuro me move, me comove e me envolve de tal forma me impulsionando ao meu melhor que, arrisco acreditar, farei dele um grande passado!”

DO LAR

Sol quente daquele tipo que a pessoa pensa não aguentar nem mais um passo. Sara suava mesmo vestindo uma bermuda leve, camiseta regata e chinelos. A criança no colo estava vermelha e toda molhada num misto de suor e  urina que certamente vazou da fralda barata. Seu bebê não cheirava como Melissa, a filha da patroa, quando neném. Não agora quando transpunha , à pé, as três quadras para chegar ao trabalho. Melissa contava 4 anos quando conheceu Liandro e foi quase maldosa.  Sim, Liandro. O homem do cartório não queria escrever com i mas assim que Sara queria e assim foi. Melissa, de uma inteligência ímpar, foi logo dizendo que o nome estava errado. Deveria ser Leandro e que iriam debochar dele na escola. Sara deu de ombros. Ela é  branca e seu  filho também mas sua situação de ignorância e pobreza garantia-lhe o preconceito de todos ou quase todos. Melissa, apesar de implicar com o i de Liandro acolheu-o com muito carinho. Quando disse que foi maldosa, ao conhecê-lo,  foi pela maneira quase raivosa com que sinalizou o erro na grafia do nome. Era uma criança muito repreendida e tornou-se intolerante com tudo e com todos. Quatro anos e muita responsabilidade em acertar sempre. Pais ausentes deixavam com Sara quase tudo da casa e da filha mas exigiam que Melissa fosse a melhor em tudo todo tempo. Toleraram Liandro porque Sara tinha uma influência muito positiva sobre a filha. Mas Liandro cresceu sob o domínio de Melissa. Estudante determinado, caráter moldado pelo reto pensar e reto agir. Ela aos 21 engravidou dele que tinha 17. Abortar, não abortar, desesperos, dedos acusadores apontados para Sara e estava formado o conflito. Por pouco tempo. Melissa decide ter o bebê. Casaram-se quando Liandro Junior tinha 4 anos e fazem hoje 50 anos de casados com três filhos. Liandro juiz e ela? Do lar! A mãe de Melissa morreu, o pai é um velho ranzinza e Sara sempre morou junto com todos cercada de amor e respeito. Morreu satisfeita pois cumpriu o objetivo traçado para esta vida: unir duas almas. Melissa, espírito de escol, não arredou do comprometimento e se fez do lar.  Sem drama, sem traumas!!!!

DOGS

Uma coisa que me diverte são os nomes que as pessoas escolhem para seus cachorros. A criatividade e ousadia me encantam. Ozzi (um roqueiro), D’Alessandro (minha paixão. Pelo cachorro!!!!), Greg (encantador), Tequila (que rosna mas não morde), Bruce Willis (com um histórico de vida tipo: difícil de matar. Por isso o nome), Luma (quem não conhece pensa numa Poodle mas é um Cane Corso imenso e belíssima), Benjamin (que não conheço pessoalmente porque a dona se convenceu de algo que não aconteceu), Olívia (gente, esta tem uma energia e me pego pensando que tem uma Duracell embutida), Monalisa (enlouquecida mas uma gracinha), Brenda (uma princesa nata), Toulouse (in memory. Só latia indignado quando a visita levantava pra ir embora. Não como substituto mas a dona hoje tem o Guapo, loco de safado!!!), Isa (exibida como o dono, ehehe!) e o Pipoca do comercial da Net?! (ator perfeito) E a Chica, a Nina(in Memory), Xena (quase uma ursa), Apolo (uauuu, um deus que se exercita na esteira, pode?!)…Coloque o nome dos teus lá nos comentários. Vou gostar! Enfim, eu mesma não tenho um cachorro digamos que para compensar os que têm 10 ou 12… Mas teria um.  Tive um. Pumpy. Um amigo me deu recém nascido. Morreu de tristeza, o cachorro não o amigo. Outra hora eu conto. Mas tinha um vizinho cachorro. Não é ironia, era um cachorro mesmo da raça Shih Tzu, acho que tem uma misturinha pois é um pouco maior que os “originais”. Branco e cinza e o nome Bono Vox.  Tipo sereno, não late e é muito gentil. Como um “bom” vizinho  não podia ver minha porta aberta que entrava sem cerimônia, nem me olhava, e sentava no sofá.  Bem no meio. A dona podia se rasgar chamando que ele nem se abalava. Ficava ali me olhando. Era engraçado ver a criatura toda sem jeito com a falta de autoridade sobre o peludinho. Enfim, Mônica precisava pegá-lo no colo para levá-lo. Até o dia que ele descobriu a outra sala, e quando Mônica ameaçava ir pegá-lo ele saia correndo e se aboletava no outro sofá. Ela tinha que ir até lá para buscá-lo toda constrangida. Quando  o apanhava ele ia conformado, sem reagir. Nunca fui eu a tirá-lo do meu sofá. Ficávamos nos olhando enquanto Mônica ficava, da porta, chamando-o com todos os comandos que conhecia até ter que entrar para carregá-lo.  Sei lá o que passava naquela cabecinha peluda?! Gosto de pensar que se ele tivesse escolha seria meu. Mudaram-se para Florianópolis. Saudades do Bono!

UM PRIMO PRA CHAMAR DE SEU

Bailarinos famosos como Fred Astaire com 1m75 e Mikhail Barychnikov com 1m68 só confirmam o que acredito. Homens altos dificilmente são bons bailarinos. E aquele de quem lhes falo, alto, esguio, de envergadura para mais de 2m, não pode mesmo dançar como uma gazela. Até porque não leva jeito para acolher o pejorativo da expressão. Tenho uma teoria, bem factível: Como o cérebro está mais distante do quadril, pela altura da pessoa, imagino que o comando de “mexa-se” leve um tempo maior para chegar como uma ordem, da cabeça para a área a ser balançada, e aí, há um desentendimento natural entre o que ele pretende desenvolver de movimento e o compasso da música. É claro que é uma teoria louca!!! Mesmo assim adoro vê-lo dançar. É raro, mas dança e com descaso para o que os outros pensam, o que eu, particularmente, acho divino nos homens. Tem personalidade suficiente pra fazer de si mesmo a piada. E conta muitas, e rimos, e ele ri  tanto que às vezes quase se fina e tem que retomar a piada com os olhos em lágrimas. Um empresário, professor, assessor… Etc. Um homem multimídia e motociclista, paraquedista, malabarista(esses dois coloquei só pra sacanear), agora também ciclista.  Homem de sobra para uma bela, enorme  e poderosa moto BMW .  Desconfio que sua mulher, a definitiva, necessita de certo impulso para montar… Na moto!