OBVIEDADES

Discutir o óbvio me irrita. Custo a entender que não seja, óbvio, para o outro! Procure o sinônimo.

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ATITUDE PENSADA

Quer dar um “salto no escuro”? Experimentar algo novo? Atente  para as  experiências alheias, em “saltos” semelhantes, e observa as consequências vividas. Se boas, “te atira”! Lembrado… Cada um deve saber o que lhe convém!

ACEITAÇÃO

Aprendi muito pouco do que precisava  das lições que a vida me impôs,  e muito menos do que gostaria, dentro do que fiz,  para me tornar uma pessoa melhor. Mesmo assim quem me ama, me aceita.

COISA DE DOIDOS?

Calor infernal, inverno glacial, chuvas torrenciais…terra de extremos! Lídia também é assim: chora copiosamente, ri escandalosamente, ama incondicionalmente, esbraveja ruidosamente.  No mais é normal?! Sei não. Avaliem no final do Conto. Apaixonou-se imediatamente, à primeira vista,  por um sujeito pelas costas. Isso, o sujeito avaliava um quadro e Lídia avistou-o de fora, de costas dentro da ampla loja envidraçada. Explicando a loja: Manolo, rico e desocupado, resolveu um belo dia pintar. Telas. E pintou 11 quadros de 1,50m x 1,00m. Eu chamaria de um amontoado de tintas, um mesclado de cores, e ele também reconheceu de pronto sua total falta de talento. Mas era rico. Comprou uma loja imensa com fachada totalmente de vidro e expôs lá seus 11 quadros. Também colocou uma confortável poltrona mais à direita na entrada, (único móvel da loja) indisponível para os visitantes  pois era onde ficava sentado apreciando os que passavam lá fora, com o olhar espichado para  dentro, e se deparavam  com aquela figura ali sentada e aqueles imensos quadros.  Apesar de bem relacionado não chamou nem avisou ninguém para divulgar sua falta de talento. Quando lhe perguntavam  o que fazia e onde, dizia que administrava seus bens de uma poltrona com uma vista bem agradável donde via pessoas, as mais diversas, passarem por ele. Ninguém perguntava mais nada. Ficava por isso mesmo. As pessoas não estão muito interessadas nas respostas. Pois bem,  voltemos para a loja. Ar condicionado potente para invernos e verões extremos…Muitos só passavam pela calçada, alguns entravam. E Manolo podia quase ler os pensamentos “dos alguns”. Calor do inferno lá fora e dentro ambiente agradavelmente refrigerado; frio glacial lá fora e dentro aconchegante calor. Os alguns entravam buscando este conforto e para justificar ficavam mais tempo que necessário “apreciando” as obras de Manolo. Então! Foi assim que numa tarde muito fria, Lídia, entrando na Manolo’s Galery apaixonou-se por Miro antes mesmo dele virar-se e ela se deparar com aquele bigode tipo Salvador Dali. Mulher de extremos correu ao encontro dele e atirou-se em seus braços. (Lembram? Ele estava de costas aproveitando o calor do ambiente, fingindo apreciar um quadro). Imaginem o espanto do homem que imediatamente recebeu do cérebro o comando associativo: fique calmo, esta louca está só te confundindo com alguém! Lídia estava gelada pelo frio lá fora então Miro concluiu rapidamente: deve estar com hipotermia! E de conclusão em conclusão aquele abraço foi se prolongando e o aconchego dos corpos transmitindo muitas, muitas ideias para Miro. Afastaram-se só um pouco, o suficiente para se olharem nos olhos, mantendo os braços enlaçados um no outro. Manolo aparvalhado, nunca tinha visto aqueles dois, chaveou a porta e sentou-se novamente para apreciar o desenrolar da cena. A loja muito ampla, eles estavam bem ao fundo, logo Manolo não podia ouvir nada. Depois  de uns 40 minutos sem se desvencilhar,  Lídia e Miro, agora de mãos dadas, vieram na direção de Manolo. Convidaram-no para padrinho e casaram-se na galeria. Tinham muitos amigos, a festa foi linda e Manolo vendeu todos seus quadros para espanto de muitos, não só de alguns. Estão casados há seis anos, Manolo morreu de pneumonia sem pintar mais nada,  e eles herdaram a loja que hoje é um antiquário onde Miro deposita as tralhas que acumulou desde sempre. Dentre elas peças belíssimas, estas sim, de arte. Apegado a cada uma delas demove qualquer um de efetivar a compra. Lídia, que tem uma voz de comando impressionante sobre o marido, sempre chega a tempo de vender o objeto pra imenso sofrimento de Miro que, nestas horas, como um cachorro acuado,  vai e senta na poltrona de Manolo  vendo o comprador passar por ele com aquela cara de satisfação  de quem tirou o doce de uma criança. Tem gente assim, fazer o quê?