APRESSADA, NUNCA MAIS!

Correria, verão, encontro marcado com namorado recentemente conquistado. Isso lá pelos anos 80. Afobada, chegando sei lá de onde pois quando nos contou o fato este detalhe ficou sem a menor importância. Então, chegando e faltando 5 min para o horário combinado pensou que o cara já devia estar pertinho. De jeans (modelo anos 80, apertado até os joelhos mas não tanto como os de hoje,  boca de sino) e camiseta, pensou que  não daria tempo de um banho caprichado. Mas o calor ao longo do dia  tinha sido do tipo porto alegrense. Como era um dos primeiros encontros nada rolaria, ainda!!! Tudo passava rapidamente pelo seu pensamento transtornado pela falta de tempo. Tempo de escolher outra roupa? Nem pensar. Mas sem banho? Também, nem pensar!   Tirou o jeans apertado, a camiseta o sutiã e se enfiou numa ducha de 1 minuto, quando muito. Vestiu a calcinha limpa, tudo num frenesi,  pegou o mesmo jeans e cheirou. Estava bem a contento. Enfiou uma perna da  calça, já indo aos tropeções para o gavetão de sandálias, enfiou a outra perna e se abaixou para  escolher uma bem bonita, salto 7. Pegou  uma camiseta limpa qualquer e saiu. Como imaginou aquele que hoje é marido já esperava lá embaixo. O restaurante era bem frequentado. Ao sair do carro sentiu algo roçando quase na altura do joelho esquerdo e, com a elegância que ainda lhe é própria, inclinou-se e coçou a região pois algo pinicava ali. Num passo miudinho (ela ainda anda assim) foram conduzidos à mesa reservada. E quando ela sentou o incômodo na perna desceu um pouco. Ela sacudiu o pé e movimentou a  perna pra lá e pra cá, embaixo da mesa, na tentativa de se livrar do que, seja lá o que fosse, estava tornando a situação desagradável.  Mas nada, tinha uma coisa ali e ela começou a cismar  no que poderia ser. O namorado já estava desconfiado com os movimentos embaixo da mesa. Então ela deu-lhe um sorriso sem graça e anunciou que já voltava. Levantou-se e quando deu o primeiro passo a calcinha, com a qual passou o dia e devia ter ficado dentro da calça quando  tirou apressada para o banho rápido,  deslizou e se instalou, visível a qualquer um, entre a barra da calça e a deslumbrante sandália, que sempre chamava a atenção de todos . Atravessou o restaurante em direção ao toalete como se aquela peça, bem fora do lugar original, não estivesse se mostrando toda vermelha , cheia de rendas e lacinhos. Ao caminhar a boca de sino  mostrava e escondia as rendas vermelhas num contraste entre o jeans e a sandália preta..  A maldita calcinha avançava em direção ao dorso do pé perigosamente sujeita a se mostrar todinha bem no meio do restaurante, sob o olhar das pessoas, no entorno, certamente  pensando como  este tipo de roupa íntima conseguiu sair do lugar que lhe é próprio. Hoje ela conta dando risada mas no momento odiou.

 

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