QUE SITUAÇÃO?!

Isso se deu  lá pelo fim da tarde, depois de um dia cheio de ir e vir mas sem que tivessem a chance de se encontrarem. E isso foi há muitos anos quando os municípios de Porto Alegre pareciam cidades do interior e todos conheciam todos.  Ela nos conta meio se rindo, meio sem graça pois tem vergonha do guri em questão até hoje. Bem servidos pelas oportunidades da vida, desde então, tinham uma caminhonete cabinada. Cansada do dia preenchido com muitas tribulações mas sempre muito disposta,(é até hoje nos seus 50 e alguns anos) esperava o marido que viria buscá-la. Na época não dirigia mas faz tempo abana as tranças conduzindo seu próprio carro. Então… O marido citado, antes de chegar no ponto combinado para pegar a recatada do lar, visualiza o tal do guri num ponto de ônibus. Este casal é e sempre foi muito generoso. Ato contínuo, ao ver o guri ali estaqueado num dia frio de julho, oferece uma carona que não é rejeitada. Facerito no mais com seus 10 ou 12 anos, informado que iriam pegar outra pessoa, se aboletou no banco traseiro sem cerimônia. Quieto entrou, quieto ficou. Eis que em mais umas cinco quadras está a esposa na espera de ir para casa. Pelo jeito já saudosa do maridão  entra apressada olha para o dito e larga essa: bah fulano,(vamos preservar os nomes), ainda não f… hoje?!? Antes que ela seguisse no assunto, que parece  render  muito até hoje, o marido olha pra ela e revira os olhinhos para o banco de trás. Numa fração de segundos ela imagina ser uma sugestão de colocarem o ato em dia mas num sobressalto, pelo arregalar dos olhos do “fulano”, olha para o banco de trás e dá de cara com o guri, tentando fazer a melhor cara de paisagem que ele conseguia, num vermelhão só. Ambos. Não sabemos da continuidade dos fatos, nem como contornaram a situação,  porque já nos doía a barriga de tanto rir enquanto ela contava, de forma entrecortada pela risada, que não pode olhar para o guri até hoje; já homem feito mas que, certamente,  não só não esqueceu o fato como desenvolveu o tema. Fico a pensar na  imaginação do fedelho no resto dos seus dias.

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APRESSADA, NUNCA MAIS!

Correria, verão, encontro marcado com namorado recentemente conquistado. Isso lá pelos anos 80. Afobada, chegando sei lá de onde pois quando nos contou o fato este detalhe ficou sem a menor importância. Então, chegando e faltando 5 min para o horário combinado pensou que o cara já devia estar pertinho. De jeans (modelo anos 80, apertado até os joelhos mas não tanto como os de hoje,  boca de sino) e camiseta, pensou que  não daria tempo de um banho caprichado. Mas o calor ao longo do dia  tinha sido do tipo porto alegrense. Como era um dos primeiros encontros nada rolaria, ainda!!! Tudo passava rapidamente pelo seu pensamento transtornado pela falta de tempo. Tempo de escolher outra roupa? Nem pensar. Mas sem banho? Também, nem pensar!   Tirou o jeans apertado, a camiseta o sutiã e se enfiou numa ducha de 1 minuto, quando muito. Vestiu a calcinha limpa, tudo num frenesi,  pegou o mesmo jeans e cheirou. Estava bem a contento. Enfiou uma perna da  calça, já indo aos tropeções para o gavetão de sandálias, enfiou a outra perna e se abaixou para  escolher uma bem bonita, salto 7. Pegou  uma camiseta limpa qualquer e saiu. Como imaginou aquele que hoje é marido já esperava lá embaixo. O restaurante era bem frequentado. Ao sair do carro sentiu algo roçando quase na altura do joelho esquerdo e, com a elegância que ainda lhe é própria, inclinou-se e coçou a região pois algo pinicava ali. Num passo miudinho (ela ainda anda assim) foram conduzidos à mesa reservada. E quando ela sentou o incômodo na perna desceu um pouco. Ela sacudiu o pé e movimentou a  perna pra lá e pra cá, embaixo da mesa, na tentativa de se livrar do que, seja lá o que fosse, estava tornando a situação desagradável.  Mas nada, tinha uma coisa ali e ela começou a cismar  no que poderia ser. O namorado já estava desconfiado com os movimentos embaixo da mesa. Então ela deu-lhe um sorriso sem graça e anunciou que já voltava. Levantou-se e quando deu o primeiro passo a calcinha, com a qual passou o dia e devia ter ficado dentro da calça quando  tirou apressada para o banho rápido,  deslizou e se instalou, visível a qualquer um, entre a barra da calça e a deslumbrante sandália, que sempre chamava a atenção de todos . Atravessou o restaurante em direção ao toalete como se aquela peça, bem fora do lugar original, não estivesse se mostrando toda vermelha , cheia de rendas e lacinhos. Ao caminhar a boca de sino  mostrava e escondia as rendas vermelhas num contraste entre o jeans e a sandália preta..  A maldita calcinha avançava em direção ao dorso do pé perigosamente sujeita a se mostrar todinha bem no meio do restaurante, sob o olhar das pessoas, no entorno, certamente  pensando como  este tipo de roupa íntima conseguiu sair do lugar que lhe é próprio. Hoje ela conta dando risada mas no momento odiou.

 

DOGS

Uma coisa que me diverte são os nomes que as pessoas escolhem para seus cachorros. A criatividade e ousadia me encantam. Ozzi (um roqueiro), D’Alessandro (minha paixão. Pelo cachorro!!!!), Greg (encantador), Tequila (que rosna mas não morde), Bruce Willis (com um histórico de vida tipo: difícil de matar. Por isso o nome), Luma (quem não conhece pensa numa Poodle mas é um Cane Corso imenso e belíssima), Benjamin (que não conheço pessoalmente porque a dona se convenceu de algo que não aconteceu), Olívia (gente, esta tem uma energia e me pego pensando que tem uma Duracell embutida), Monalisa (enlouquecida mas uma gracinha), Brenda (uma princesa nata), Toulouse (in memory. Só latia indignado quando a visita levantava pra ir embora. Não como substituto mas a dona hoje tem o Guapo, loco de safado!!!), Isa (exibida como o dono, ehehe!) e o Pipoca do comercial da Net?! (ator perfeito) E a Chica, a Nina(in Memory), Xena (quase uma ursa), Apolo (uauuu, um deus que se exercita na esteira, pode?!)…Coloque o nome dos teus lá nos comentários. Vou gostar! Enfim, eu mesma não tenho um cachorro digamos que para compensar os que têm 10 ou 12… Mas teria um.  Tive um. Pumpy. Um amigo me deu recém nascido. Morreu de tristeza, o cachorro não o amigo. Outra hora eu conto. Mas tinha um vizinho cachorro. Não é ironia, era um cachorro mesmo da raça Shih Tzu, acho que tem uma misturinha pois é um pouco maior que os “originais”. Branco e cinza e o nome Bono Vox.  Tipo sereno, não late e é muito gentil. Como um “bom” vizinho  não podia ver minha porta aberta que entrava sem cerimônia, nem me olhava, e sentava no sofá.  Bem no meio. A dona podia se rasgar chamando que ele nem se abalava. Ficava ali me olhando. Era engraçado ver a criatura toda sem jeito com a falta de autoridade sobre o peludinho. Enfim, Mônica precisava pegá-lo no colo para levá-lo. Até o dia que ele descobriu a outra sala, e quando Mônica ameaçava ir pegá-lo ele saia correndo e se aboletava no outro sofá. Ela tinha que ir até lá para buscá-lo toda constrangida. Quando  o apanhava ele ia conformado, sem reagir. Nunca fui eu a tirá-lo do meu sofá. Ficávamos nos olhando enquanto Mônica ficava, da porta, chamando-o com todos os comandos que conhecia até ter que entrar para carregá-lo.  Sei lá o que passava naquela cabecinha peluda?! Gosto de pensar que se ele tivesse escolha seria meu. Mudaram-se para Florianópolis. Saudades do Bono!

UM PRIMO PRA CHAMAR DE SEU

Bailarinos famosos como Fred Astaire com 1m75 e Mikhail Barychnikov com 1m68 só confirmam o que acredito. Homens altos dificilmente são bons bailarinos. E aquele de quem lhes falo, alto, esguio, de envergadura para mais de 2m, não pode mesmo dançar como uma gazela. Até porque não leva jeito para acolher o pejorativo da expressão. Tenho uma teoria, bem factível: Como o cérebro está mais distante do quadril, pela altura da pessoa, imagino que o comando de “mexa-se” leve um tempo maior para chegar como uma ordem, da cabeça para a área a ser balançada, e aí, há um desentendimento natural entre o que ele pretende desenvolver de movimento e o compasso da música. É claro que é uma teoria louca!!! Mesmo assim adoro vê-lo dançar. É raro, mas dança e com descaso para o que os outros pensam, o que eu, particularmente, acho divino nos homens. Tem personalidade suficiente pra fazer de si mesmo a piada. E conta muitas, e rimos, e ele ri  tanto que às vezes quase se fina e tem que retomar a piada com os olhos em lágrimas. Um empresário, professor, assessor… Etc. Um homem multimídia e motociclista, paraquedista, malabarista(esses dois coloquei só pra sacanear), agora também ciclista.  Homem de sobra para uma bela, enorme  e poderosa moto BMW .  Desconfio que sua mulher, a definitiva, necessita de certo impulso para montar… Na moto! 

DOIS DIFERENTE

Aquele que, em se debruçando na janela, à procura do gato que se evadiu, tombou por dois andares. Estava em sã consciência, não deixou dúvidas quando o socorremos. Consciência de que o gato tinha fugido. Quanto à inconsciência do seu ato? Não, não tinha consciência. Achou bem normal!!!

E

O parente por tabela, amadurecido as turras na dor da solidão, quebrantado, vergado no orgulho que só uma amarga doença é capaz  de produzir. Quanto arrependimento é capaz de carregar? Quantas vezes retomou o comportamento infeliz!? Mas quanto de doçura pode fazer verter,  de um ser, uma companheira que o compreenda e saiba como lamber feridas!.

DETERMINADA

A ligada no 220 volt. Elétrica mulher. Mulher polvo, de tantas mãos, sempre abarcando todas as possibilidades e responsabilidades. Mãe presente e atuante, sem filhos gerados por ela mas com uma cria tão amada, cria tão lambida como se dela fosse. Forte, determinada e de imensos e lindos olhos verdes. Mulher resolvida e voluntariosa. Se ameaçarem não poder fazer qualquer coisa, esqueça.  Ela já fez…

AZEDA

Tenho um sentimento misto de pena e incapacidade por certa criatura que insiste em se enredar no seu azedume contumaz. O que será preciso para que o emburramento, que lhe é peculiar, lhe dê indícios de que não é preciso levar a vida a ferro e fogo para que lhe respeitem? Eu sei, viveu desde muito jovem as agruras da vida. Teve que conduzir um filho de difícil convívio e uma filha gentil, muito só. Sem pai, sem mãe!!!!! Meu coração se abre, frequentemente, para ela mas… não sei, a dor lhe esculpiu no rosto de tal forma a amargura que mesmo quando seu sorriso se abre o olhar desmente! Queria tanto que  acreditasse que queremos, todos, que ela seja feliz. Efetivamente feliz! Não só aparentemente feliz!